O que é Agentic Commerce: descubra o futuro das compras por IA

O Agentic Commerce é um novo modelo de e-commerce impulsionado pela IA, em que assistentes autônomos, como o ChatGPT, pesquisam, recomendam e finalizam compras em nome do consumidor. Tudo dentro de uma simples conversa. Nesse caso, o usuário não precisa mais abrir sites, procurar produtos ou preencher cadastros. Ele apenas conversa com o agente, e a IA faz o resto.
Agentic Commerce: homem mexendo em um notebook com tecnologia

Principais tópicos

O comércio digital está prestes a viver uma das transformações mais profundas desde o surgimento das lojas virtuais.

Com o avanço da Inteligência Artificial (IA) generativa, o comportamento do consumidor está mudando rápido.

Se antes a jornada de compra passava por pesquisas em sites, comparadores de preço e carrinhos de e-commerce, agora ela acontece de forma muito mais fluida e instantânea: diretamente dentro de um chat.

Imagine conversar com uma IA que entende suas preferências, recomenda produtos com base no seu histórico e finaliza a compra em segundos, sem que você precise abrir uma nova aba ou preencher formulários intermináveis.

Esse é o poder do Agentic Commerce, a tecnologia que está inaugurando uma nova era nas vendas digitais.

O Agentic Commerce representa o surgimento dos vendedores autônomos digitais, inteligências artificiais capazes de conduzir toda a experiência de compra de forma personalizada, inteligente e totalmente automatizada. 

Uma revolução que promete redefinir a relação entre marcas e consumidores, e que já começa a moldar o futuro do comércio online. Quer saber mais sobre o assunto? Continue com a leitura!

O que é Agentic Commerce

O Agentic Commerce é um novo modelo de e-commerce impulsionado pela IA, em que assistentes autônomos, como o ChatGPT, pesquisam, recomendam e finalizam compras em nome do consumidor.

Tudo dentro de uma simples conversa. Nesse caso, o usuário não precisa mais abrir sites, procurar produtos ou preencher cadastros.

Ele apenas conversa com o agente, e a IA faz o resto.

O termo surgiu em setembro de 2025, quando a OpenAI apresentou o Agentic Commerce Protocol (ACP), um protocolo aberto que permite que lojas virtuais, sistemas de pagamento e plataformas de logística se integrem diretamente ao ChatGPT Shopping.

Essa infraestrutura é o que torna possível transformar chats em verdadeiras vitrines digitais interativas.

A grande diferença para o e-commerce tradicional está na experiência. Em vez de o cliente navegar por páginas e filtros, ele conversa com o agente, e o agente faz todo o trabalho de busca, comparação e checkout.

O resultado é um modelo de compra muito mais intuitivo, personalizado e eficiente, que promete redefinir a forma como as pessoas descobrem e consomem produtos online.

Exemplo de busca no ChatGPT
Pesquisa no ChatGPT

Como o Agentic Commerce funciona na prática

O ACP é um padrão aberto (open-standard) desenvolvido para facilitar transações de e-commerce em que agentes-IA (assistentes conversacionais) pesquisam, recomendam e finalizam compras em nome do usuário.

Ele foi criado pela OpenAI em parceria com Stripe, com o objetivo de permitir que lojas e agentes de IA se comuniquem de forma padronizada, segura e interoperável.

A licença é Apache 2.0, ou seja, o padrão é aberto e pode ser implementado por diversas empresas.

Componentes técnicos principais do ACP

A documentação oficial destaca três blocos centrais:

  • product feed: um formato de dados estruturados com catálogo de produtos, preços, descrições, estoque etc., que o lojista disponibiliza para agentes de IA acessarem;
  • agentic checkout: a experiência de compra embutida dentro de uma interface de agente conversacional. A IA conduz a sessão, mostra o produto e aciona o checkout;
  • delegated payment: um mecanismo seguro para que as credenciais de pagamento sejam delegadas ao agente/conversação sem que dados sensíveis, como cartão completo, fiquem expostos, mantendo segurança e conformidade.

Por que isso é diferente do e-commerce tradicional

No e-commerce atual, o cliente navega por sites, filtra, busca, adiciona ao carrinho, preenche formulários, introduz dados de envio e pagamento.

Com Agentic Commerce via ACP, o fluxo se torna: usuario conversa (“quero um fone de ouvido bluetooth até R$ 200”), o agente IA entende preferências e histórico, sugere opções, e finaliza a compra direto dentro do chat  sem sair da interface de conversação.

Do ponto de vista do lojista, não é preciso “apenas” estar bem posicionado em buscadores ou investir tanto em funil de tráfego tradicional.

Se a loja está integrada ao protocolo, pode receber pedidos originados de agentes IA.

Como isso funciona na prática

Do lado do consumidor, o usuário inicia uma conversa: “preciso de um fone de ouvido bluetooth até R$ 200.”

A IA analisa o contexto, histórico de compras, preferências, talvez credenciais de fidelidade, e recomenda, por exemplo, três modelos que atendem ao critério.

Se a loja do produto está integrada via ACP, o usuário pode clicar ou confirmar dentro do chat mesmo e prosseguir com checkout instantâneo. Tudo isso sem abrir diversas abas, sem longos formulários.

Já o lojista adapta seu sistema para aceitar integração via ACP. Ele disponibiliza o product feed compatível, implementa os endpoints de checkout conforme a especificação. (Ex: criar / atualizar / completar pedido).

Ele continua controlando estoque, preços, envio, atendimento, isto é, mantém sua “marcha de e-commerce” normal, mas agora recebe pedidos originados de interfaces de agente.

A vantagem é que há menos dependência de tráfego pago ou estratégias tradicionais de aquisição, porque parte das compras pode vir “dentro da conversa”.

Vamos dar um exemplo de um possível cenário: o lojista usando Tray, por exemplo adiciona a camada ACP e torna seus produtos “chat-compráveis”.

Vantagens e desafios

Entre as vantagens podemos citar:

  • experiência de usuário mais fluida: provavelmente menos abandono de carrinho;
  • acesso a nova via de venda (conversacional): diferencial competitivo;
  • integração pensada para ser “plug & play” (ou quase) com infraestrutura existente.

Já os desafios são:

  • a adoção ainda está no início, por isso, nem todas as lojas ou agentes suportam ACP;
  • integração técnica: feed de produtos, compliance de pagamento, segurança da delegação exigem muito cuidado;
  • questões de confiança: como garantir que o agente esteja representando a intenção do usuário corretamente? ACP aborda isso com mandatos assinados etc.

Por que o Agentic Commerce é relevante

O Agentic Commerce é uma mudança estrutural na forma como as pessoas descobrem, interagem e compram produtos online.

Ele redefine toda a experiência de compra e inaugura um novo ciclo no varejo digital, em que a conversa se torna o novo clique.

Vamos entender por que esse conceito está sendo considerado uma revolução.

Novo comportamento do consumidor

O consumidor digital está mudando sua forma de buscar e decidir o que comprar.

Com o avanço da inteligência artificial generativa, as pessoas estão deixando de digitar termos em mecanismos de busca e passando a conversar diretamente com assistentes de IA para pedir recomendações personalizadas.

Em vez de abrir várias abas, comparar preços e ler avaliações, o usuário faz perguntas diretas, como “qual o melhor notebook para trabalho remoto até R$5.000?” e recebe respostas contextualizadas e assertivas.

Esse comportamento cria um novo ponto de partida na jornada de compra, em que o agente de IA se torna o primeiro contato entre consumidor e marca.

Assim como o Google revolucionou o marketing de busca nos anos 2000, o ChatGPT e outros agentes conversacionais estão se tornando os novos intermediários de decisão, influenciando o que será visto, considerado e comprado. 

Marcas que não estiverem preparadas para aparecer nesses ambientes correm o risco de desaparecer das conversas e, consequentemente, das escolhas.

Redução do atrito na jornada de compra

Uma das maiores inovações do Agentic Commerce é a eliminação de barreiras no processo de compra.

No e-commerce tradicional, o consumidor passa por várias etapas: buscar, clicar, navegar, adicionar ao carrinho, preencher dados e finalmente pagar. Cada uma dessas etapas representa um ponto de desistência.

No modelo agentic, tudo isso é condensado em uma única experiência conversacional. A IA entende o pedido, apresenta opções e finaliza a compra sem que o consumidor precise sair do chat. 

O checkout instantâneo e seguro é feito dentro da própria interface, com autorização e pagamento automatizados via protocolos como o ACP (Agentic Commerce Protocol).

O resultado é um funil de vendas muito mais curto e eficiente, onde a intenção de compra se converte em transação com velocidade e simplicidade inéditas.

Essa fluidez tende a aumentar as taxas de conversão e reduzir o abandono de carrinho, um dos maiores gargalos do e-commerce atual.

Personalização em tempo real

O Agentic Commerce eleva a personalização a um novo patamar. Enquanto os e-commerces tradicionais utilizam algoritmos baseados em cookies e histórico de navegação, os agentes de IA analisam contexto, intenções e preferências individuais em tempo real.

Durante uma conversa, a IA capta nuances, como o tom de voz, o orçamento, a urgência e até o propósito da compra, para oferecer recomendações mais humanas e relevantes. 

Se o usuário diz “quero um presente para minha mãe que adora jardinagem”, a IA não só entende o perfil do destinatário, mas também sugere opções que se alinham ao estilo e à faixa de preço mencionados.

Essa capacidade de compreensão contextual e adaptativa cria uma experiência de compra muito mais próxima da de um vendedor humano, só que com escalabilidade e precisão infinitamente maiores. 

Trata-se de um salto de personalização que torna a relação entre consumidor e marca mais significativa e, portanto, mais propensa à fidelização.

Novo canal de aquisição

O chat está se transformando em um novo canal de vendas com alcance massivo. Plataformas como o ChatGPT, Google Gemini, Copilot e outras soluções conversacionais somam centenas de milhões de usuários ativos por mês, e agora passam a funcionar como verdadeiros marketplaces conversacionais.

Para o varejo, isso representa uma nova vitrine digital, onde as marcas podem estar presentes não apenas por meio de anúncios ou sites, mas dentro de conversas cotidianas.

O consumidor não precisa mais “ir até a loja virtual”. É a loja que chega até ele, integrada à IA que já faz parte de sua rotina.

Essa nova dinâmica de aquisição muda a lógica do funil de marketing: o topo e o fundo se fundem em um mesmo ambiente.

O diálogo se torna o espaço onde a descoberta e a conversão acontecem simultaneamente, com potencial de ampliar significativamente o alcance e a eficiência das campanhas digitais.

Mudança na lógica de SEO e marketing

Com o avanço do Agentic Commerce, o SEO tradicional dá lugar a uma nova disciplina: o Chat Optimization (CHO).

Se antes o objetivo era aparecer nos resultados de busca do Google, agora o desafio é ser recomendado pelos agentes de IA durante uma conversa.

Isso exige que as marcas reformulem a forma como estruturam seus dados e comunicam seus produtos.

Descrições claras, linguagem natural, dados estruturados e integrações com o ACP passam a ser essenciais para que os agentes compreendam e priorizem os itens nas recomendações.

Além disso, o marketing se torna mais conversacional e baseado em intenção. É preciso estar presente nas respostas que as IAs oferecem.

As estratégias de branding, conteúdo e performance precisarão se alinhar a esse novo ecossistema, onde a otimização não é para buscadores, mas para modelos de linguagem que mediam as compras.

O impacto para o e-commerce e as plataformas

O Agentic Commerce representa uma mudança estrutural no ecossistema digital. Ele redefine o papel dos lojistas, o modelo de aquisição de clientes e a função das plataformas de e-commerce. 

Estamos diante de um novo cenário em que a conversa substitui o clique e quem entender isso primeiro, sai na frente. Veja o que mais ele impacta.

Para os lojistas

O modelo tradicional de vendas online sempre girou em torno de atrair tráfego: investir em mídia paga, ranquear no Google, otimizar páginas e disputar atenção em marketplaces.

Com o Agentic Commerce, esse paradigma muda completamente. Agora, o foco passa a ser “ser encontrado” pelos agentes de IA e não apenas pelos consumidores.

Esses agentes se tornarão os novos intermediários de decisão, filtrando produtos com base em contexto, reputação, preço, disponibilidade e qualidade de dados.

Ou seja, a competição deixa de acontecer nos anúncios e vitrines e passa a se dar no campo da relevância algorítmica. Estar visível significa ser o produto mais recomendado pela IA em uma conversa.

Para isso, os lojistas precisam investir não só em marketing, mas em dados estruturados, integração com o Agentic Commerce Protocol (ACP) e qualidade das informações de produto. 

Quanto mais “inteligente” for a loja, mais fácil será para os agentes compreenderem e promoverem seus produtos. Afinal, o  jogo não será mais de quem grita mais alto com anúncios, mas de quem fala mais claro com a IA.

Para plataformas

Para as plataformas de e-commerce, o Agentic Commerce abre um novo ciclo de inovação. Até agora, o papel dessas plataformas era centralizar operações, integrar marketplaces e facilitar a gestão da loja. 

No entanto, a chegada dos protocolos abertos de IA cria uma nova camada de conexão: a integração com assistentes inteligentes e sistemas de compra conversacional.

Nesse contexto, plataformas como a Tray podem se tornar o hub estratégico do lojista, o ponto de integração entre loja, marketplaces e canais de IA.

Ao adotar compatibilidade com o Agentic Commerce Protocol (ACP), a plataforma permitiria que seus lojistas tivessem seus catálogos automaticamente disponíveis para agentes como o ChatGPT, Copilot ou Google Gemini.

Além disso, APIs de recomendação e checkouts conversacionais nativos podem transformar a plataforma em um ecossistema pronto para o comércio orientado por IA.

Principais players e cases iniciais

O Agentic Commerce já deixou de ser apenas uma ideia. Ele está em plena fase de implementação pelos gigantes do varejo mundial.

O Walmart, por exemplo, deu um passo ousado ao integrar seu ecossistema de compras ao ChatGPT Shopping, em parceria com a OpenAI.

Nos Estados Unidos, os consumidores já conseguem fazer pedidos de produtos e até de mantimentos diretamente por meio de uma conversa com a IA. 

O sistema entende preferências, sugere substituições, faz o checkout e agenda a entrega tudo dentro do chat. É uma amostra clara de como o ato de “comprar” está se tornando uma experiência conversacional.

Outro player internacional que está testando a funcionalidade é a Shopify, que se integrou ao protocolo ACP (Agentic Commerce Protocol).

Possibilitando lojistas independentes a testar o checkout instantâneo via ChatGPT, em que o usuário não precisa acessar o site para finalizar a compra. A IA reconhece o produto, conecta ao estoque e executa a transação de forma segura e integrada.

A Etsy, conhecida por reunir produtos artesanais e criativos, também faz parte do grupo de lançamento.

Ela se posiciona como um marketplace preparado para o futuro, permitindo que os usuários encontrem e comprem produtos únicos diretamente por meio de interações com a IA.

E esse movimento global já começa a despertar o interesse do mercado brasileiro.

Plataformas como Tray, Magalu e Mercado Livre acompanham de perto as primeiras implementações e avaliam como adaptar o protocolo ACP e os recursos de checkout conversacional à realidade local.

A tendência é que, nos próximos anos, as compras online deixarão de depender de sites e apps para acontecerem em qualquer interface conversacional.

Como lojistas e marcas podem se preparar

Entrar na era do Agentic Commerce requer adaptação estratégica. A boa notícia é que as bases dessa transformação já estão ao alcance de qualquer negócio digital.

O segredo está em preparar o e-commerce para conversar com as inteligências artificiais de forma clara, estruturada e confiável. Veja alguma dicas de como fazer isso.

Estruture seu catálogo de forma inteligente

O primeiro passo é garantir que a IA entenda o que você vende. Isso significa criar descrições de produtos ricos, detalhadas e padronizadas, com dados técnicos completos, atributos claros e informações atualizadas sobre preço, estoque e entrega.

Diferentemente de um consumidor humano, que interpreta contexto, a IA precisa de dados estruturados para “ler” corretamente o seu catálogo e fazer recomendações precisas. 

Produtos bem descritos, com linguagem natural e metadados organizados, têm mais chances de serem exibidos e sugeridos durante as conversas com o usuário.

Invista em integrações e APIs abertas

O coração do Agentic Commerce é a interoperabilidade e isso começa pelas integrações. Lojas que adotarem APIs abertas e compatíveis com o Agentic Commerce Protocol (ACP) sairão na frente, pois estarão prontas para conectar seus catálogos a agentes como o ChatGPT Shopping, Copilot e Google Gemini.

Isso não significa refazer seu e-commerce do zero.

Plataformas modernas, como Shopify, WooCommerce e Tray, já estão desenvolvendo camadas de compatibilidade com o ACP, permitindo que lojistas se integrem com poucos ajustes técnicos.

Foque na experiência pós-venda e reputação

Em um cenário onde os agentes de IA decidem o que recomendar, a reputação passa a valer tanto quanto o preço.

As IAs levarão em conta histórico de entregas, avaliações de clientes, índices de devolução e tempo de resposta no suporte.

Por isso, fortalecer o pós-venda é indispensável. Processos de atendimento rápidos, políticas de troca transparentes e avaliações positivas aumentarão a probabilidade de sua marca ser sugerida automaticamente pelos agentes.

O algoritmo pode até ser inteligente, mas ele é movido por dados e sua reputação é o dado mais valioso.

Conclusão

O Agentic Commerce representa o próximo grande salto do e-commerce tão transformador quanto foi o surgimento dos marketplaces há alguns anos.

Assim como naquela época, quem enxergou o movimento cedo conquistou espaço, clientes e relevância. Agora, o cenário se repete, mas com uma nova força impulsionando a mudança: a inteligência artificial.

Em pouco tempo, as IAs serão o principal canal de descoberta e compra, indicando produtos, avaliando reputações e conduzindo transações completas. Lojistas e marcas que começarem a se adaptar desde já, investindo em dados, integração e experiência, terão uma vantagem competitiva inestimável.

O futuro do varejo digital será moldado por conversas, recomendações inteligentes e compras sem fricção. E quem estiver preparado vai liderar essa nova era.

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