O e-commerce brasileiro tem encontrado um novo horário nobre: a noite e a madrugada. O costume de checar o celular antes de dormir deixou de ser apenas uma distração e passou a movimentar bilhões em vendas digitais.
Uma pesquisa realizada pela Octadesk, E-commerce Trends 2026, aponta que 56% dos consumidores preferem comprar online fora do horário comercial, especialmente à noite ou durante a madrugada.
O celular no centro da jornada de compra
Segundo o levantamento, oito em cada dez consumidores finalizam suas compras pelo celular, reforçando o protagonismo do dispositivo no dia a dia do varejo digital.
E a tendência é de crescimento: 59% dos entrevistados afirmam que pretendem comprar ainda mais pela internet nos próximos 12 meses.
WhatsApp ultrapassa chat online
A adaptação das marcas a esse novo perfil de consumo passa, sobretudo, pelos canais de atendimento.
Pela primeira vez, o WhatsApp superou o chat online como preferência do público, com 37% das menções.
A popularidade do aplicativo se explica pela praticidade e pela sensação de contato direto, mas ainda há desafios: embora 86% já tenham sido atendidos por chatbots, apenas 22% avaliaram a experiência de forma positiva.
Inteligência Artificial ganha espaço… com cautela
Outro dado que chama atenção é o papel crescente da Inteligência Artificial no e-commerce.
Hoje, 26% dos consumidores já utilizam ferramentas como ChatGPT e Gemini para pesquisar produtos e outros 26% afirmam ter sido influenciados por vitrines personalizadas por IA.
Apesar do avanço, a confiança ainda é parcial. 39% acreditam que a tecnologia melhora a experiência de compra, enquanto 23% desconfiam de descrições feitas por algoritmos.
O que influencia a decisão de compra
O estudo mostra que fatores tradicionais ainda pesam muito na decisão final. Frete grátis aparece como principal atrativo (72%), seguido por promoções (60%), prazo de entrega (46%) e cupons de desconto (42%).
Na forma de pagamento, o cartão de crédito parcelado mantém a liderança (53%), seguido pelo Pix (22%) e pelo cartão de crédito à vista (15%).
Métodos mais recentes, como carteiras digitais, QR Code e reconhecimento facial, ainda registram baixa adesão.
Redes sociais em alta
Além do Google, usado por 59% dos consumidores como principal ferramenta de busca, as redes sociais vêm ganhando relevância na descoberta de produtos.
58% já recorrem a plataformas como Instagram e YouTube para pesquisar e, entre os que compraram após anúncios, o Instagram lidera (55%), seguido por Facebook (31%) e YouTube (30%).
Black Friday deve acelerar a tendência
Com a Black Friday se aproximando, esse cenário ganha ainda mais força. O hábito de buscar promoções fora do horário comercial tende a se intensificar, impulsionando compras noturnas e exigindo que as marcas estejam disponíveis em tempo real.
Estratégias como frete grátis, ofertas-relâmpago na madrugada e atendimento ágil pelo WhatsApp podem ser decisivas para conquistar a preferência dos consumidores em um dos períodos mais disputados do ano para o e-commerce.
Madrugada como nova vitrine
O comportamento noturno, antes visto como exceção, agora dita estratégias do varejo online.
Com consumidores mais ativos em horários alternativos e cada vez mais exigentes em termos de conveniência, atendimento e personalização, empresas que souberem ocupar esse espaço devem ganhar vantagem competitiva.